WHITE NOIZ: A BANDA DE LOS ANGELES QUE VEIO AO BRASIL E QUASE DESAPARECEU DA HISTÓRIA

Por Anderson Silveira | Hora de Bater Cabeça

Existem bandas que fizeram história. Outras foram esquecidas com o passar dos anos. E existem aquelas que parecem simplesmente ter desaparecido sem deixar qualquer rastro.

A White Noiz pertence a essa última categoria.

No final dos anos 1980, enquanto o Brasil começava a receber cada vez mais atrações internacionais de rock e heavy metal, uma banda americana de Los Angeles desembarcou no país para uma turnê.

Segundo noticiado na época, o White Noiz fez 3 shows no Rio de Janeiro nos dias 18, 19 e 20 de julho e uma data no Distrito Federal, 07 de setembro. Por mais incrível que possa parecer hoje em dia, a banda deu um intervalo de quase dois meses entre as cidades, impensável hoje em dia, mas que proporcionou que os integrantes pudessem turistar no Rio de janeiro.

Visitando o Cristo Redentor:

A banda chegou a ir em um jogo do Flamengo no Maracanã:

Quase quatro décadas depois, alguns recortes de jornais, fotografias e registros audiovisuais permitiram reconstruir parte dessa história.

E uma descoberta recente indica que talvez a White Noiz não tenha desaparecido completamente.

UMA BANDA DE LOS ANGELES NO BRASIL

Os jornais brasileiros apresentavam a White Noiz como uma banda de rock de Los Angeles, em alguns casos classificada como heavy metal.

A formação divulgada na época era composta por:

Raine Johnson — vocais
Kenneth Holmes — baixo
Frank Still — guitarra
Richard Schwyner — guitarra
Robert Shvizer — bateria
Lee Chidgey — teclados

Em pesquisa descobrimos que houve uma grande divulgação e apoio por parte da mídia. A Revista Bizz era patrocinadora do evento (infelizmente não conseguimos ter acesso ao acervo da revista), bem como de uma famosa loja de roupas, a Electricligt. Isso sem contar com a ampla divulgação nos jornais Correio Brasiliense, Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil.

WHITE NOIZ NO SCALA RIO

No Rio, a banda se apresentou no Scala. Em uma época anterior a profusão de espaços específicos para eventos musicais, o equipamento disponível era pouco. Havia a opção do Maracanã ou Praça da Apoteose para grandes shows, Maracanãzinho para shows médios, Circo Voador para shows menores. Ainda aconteciam shows no Estádio do Flamengo e até no Caio Martins em Niterói.

O Scala era uma boate muito famosa no Rio de Janeiro, onde aconteciam os famosos bailes de carnaval, como também palco de vários shows internacionais, como o de Liza Minnelli e Frank Sinatra.

WHITE NOIZ NA TV BANDEIRANTES

A passagem pelo Brasil também levou a banda para a televisão.

A White Noiz participou do Fórmula Única, programa musical da TV Bandeirantes, exibido no Rio de Janeiro e conhecido por abrir espaço para bandas e artistas.

Décadas depois, um registro audiovisual dessa participação continua disponível na internet, identificado como:

“WHITE NOIZ BANDA DE HARD ROCK CLIP NO FORMULA ÚNICA”

O vídeo é um dos documentos mais raros encontrados durante esta investigação.

Além da importância histórica da participação, ele pode ajudar a responder uma pergunta que permanece em aberto:

qual música a White Noiz apresentou no programa?

Até o momento, não encontramos uma fonte confiável que identifique a faixa executada na televisão.

Por isso, preferimos não atribuir uma música à apresentação sem documentação que confirme a informação.

MAS O QUE ACONTECEU COM A WHITE NOIZ?

Essa é a grande questão.

Apesar de termos conseguido identificar a formação, a passagem pelo Brasil e a participação televisiva, ainda são escassas as informações sobre a trajetória da banda antes e depois da turnê.

Não encontramos até agora uma discografia oficial claramente documentada ou uma história consolidada da White Noiz em fontes internacionais.

Mas a investigação revelou uma pista surpreendente.

RAYNE JOHNSON E LEE CHIDGEY: A PISTA QUE LEVA AO THE BURNPOOL

Ao pesquisar o destino dos músicos identificados nos recortes brasileiros, encontramos dois nomes novamente associados a uma banda americana alguns anos mais tarde.

Rayne Johnson, nos vocais, e Lee Chidgey, nos teclados, aparecem posteriormente na formação do Theatre, uma banda da Califórnia que mais tarde adotaria o nome The Burnpool.

Em 1995, o grupo lançou o álbum homônimo The Burnpool, pela I/O Records, que foi produzido por ninguém menos que Bob Kulick, guitarrista americano que trabalhou com vários artistas como Kiss, WASP, Alice Cooper, Lou Reed, Meat Loaf e Michael Bolton. Bob era o Irmão mais velho de Bruce Kulick.

O disco apresenta uma sonoridade situada entre hard rock, melodic rock e elementos progressivos, reunindo onze faixas.

Entre os integrantes aparecem novamente Rayne Johnson e Lee Chidgey.

A coincidência é particularmente significativa porque Raine Johnson e Lee Chidgey são dois dos seis músicos identificados na formação da White Noiz durante a turnê brasileira de 1988.

Há inclusive uma pequena diferença na grafia do nome do vocalista: os documentos brasileiros apresentam Raine Johnson, enquanto registros posteriores utilizam Rayne Johnson. Atualmente adota o nome Rayne Rooks na internet.

Ainda precisamos encontrar documentação que confirme definitivamente que se trata da mesma pessoa — embora a combinação dos nomes e das funções dentro das bandas seja uma pista bastante forte.

O Metal Archives registra ainda que o Theatre, de Bellflower, Califórnia, posteriormente mudou seu nome para The Burnpool.

Isso abre uma possibilidade fascinante.

A WHITE NOIZ REALMENTE DESAPARECEU?

Não podemos afirmar, com o material disponível até agora, que o Theatre ou o The Burnpool tenham sido uma continuação oficial da White Noiz.

Também não sabemos exatamente quando a White Noiz encerrou suas atividades, nem quando os músicos passaram a trabalhar juntos novamente.

Mas sabemos que pelo menos dois nomes da formação documentada da White Noiz aparecem novamente na cena californiana alguns anos depois.

E isso muda completamente a pergunta inicial.

Talvez a White Noiz não tenha simplesmente desaparecido.

Talvez parte daquela história tenha continuado sob outros nomes.

UMA BANDA QUE O BRASIL AINDA LEMBRA

Existe uma ironia nessa história.

Internacionalmente, a White Noiz praticamente desapareceu.

No Brasil, entretanto, sua passagem deixou rastros.

E, décadas depois, esses documentos permitiram recuperar uma história que poderia facilmente ter desaparecido por completo.

A White Noiz talvez nunca tenha alcançado o sucesso que buscava nos Estados Unidos.

Mas, alguns meses em 1986, ela esteve no Brasil.

Tocou para o público brasileiro, apareceu na televisão e fez parte de uma época em que o país começava a se tornar uma importante parada para bandas estrangeiras.

E agora existe uma nova pista.

Raine/Rayne Johnson e Lee Chidgey parecem ter continuado suas carreiras em outra banda da Califórnia, o Theatre, posteriormente transformado em The Burnpool.

Talvez essa seja apenas uma coincidência.

Talvez seja a continuação de uma história que ainda não conseguimos reconstruir completamente.

Por enquanto, a pergunta permanece:

O que realmente aconteceu com a White Noiz depois de sua passagem pelo Brasil?

A investigação continua.


FONTES E REGISTROS

Imprensa brasileira — 1988
Anúncios e matérias contemporâneos à turnê da White Noiz pelo Brasil, incluindo referências às apresentações em Brasília e no Scala Rio.

Fórmula Única — TV Bandeirantes
Registro audiovisual da participação da White Noiz no programa, preservado no YouTube.

Registro fotográfico da turnê
Vídeo com fotografias da passagem da White Noiz pelo Brasil, preservado no YouTube.

The Burnpool
Registros posteriores da formação da banda e do álbum The Burnpool (1995), incluindo Rayne Johnson e Lee Chidgey.


Nota do HBC: Esta matéria reúne documentos jornalísticos brasileiros da época, registros audiovisuais preservados na internet e informações posteriormente encontradas sobre músicos associados à White Noiz. Quando não existe documentação suficiente para confirmar uma informação, ela é apresentada como hipótese ou questão em aberto. A grafia dos nomes dos integrantes pode variar entre os documentos, especialmente no caso de Raine/Rayne Johnson.

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