FRANK BEARD, BATERISTA DO ZZ TOP, MORRE AOS 77 ANOS
Músico integrou o ZZ Top por mais de cinco décadas e ajudou a construir um dos sons mais reconhecíveis do rock americano
O rock perdeu nesta semana um de seus músicos mais discretos — e, ao mesmo tempo, fundamentais.
Frank Beard, baterista do ZZ Top, morreu aos 77 anos, em 17 de agosto de 2026, em seu rancho em Richmond, Texas. Segundo as informações divulgadas após sua morte, Beard estava sob cuidados paliativos e tinha familiares ao seu lado. A causa da morte não foi divulgada.
Durante mais de cinco décadas, Beard ocupou a bateria de uma das formações mais reconhecíveis da história do rock: Billy Gibbons na guitarra e vocais, Dusty Hill no baixo e Beard na bateria.
Uma formação que permaneceu praticamente intacta por mais de 50 anos.
E talvez esteja justamente aí a dimensão de sua importância.
O HOMEM POR TRÁS DA BATERIA
Nascido Frank Lee Beard, em 11 de junho de 1949, no Texas, o músico começou sua trajetória ainda jovem e passou por diferentes bandas antes de encontrar aqueles que se tornariam seus companheiros definitivos.
Antes do ZZ Top, Beard chegou a tocar com Dusty Hill em grupos como The Cellar Dwellers, The Warlocks, The Hustlers e American Blues.
No final dos anos 1960, Beard se aproximou de Billy Gibbons, guitarrista que liderava a banda The Moving Sidewalks.
Em 1969, os três músicos que formariam o núcleo clássico do ZZ Top estavam juntos.
A partir daí, começaria uma das histórias mais duradouras do rock.
O TERCEIRO HOMEM DO ZZ TOP
Quando se fala em ZZ Top, é natural que as imagens de Billy Gibbons e Dusty Hill venham imediatamente à cabeça.
As longas barbas, os óculos escuros, os chapéus e a estética texana fizeram da dupla uma das marcas visuais mais reconhecíveis do rock.
Mas havia um detalhe curioso:
Frank Beard era justamente o único dos três que não usava uma longa barba.
Seu sobrenome, ironicamente, significa “barba” em inglês.
A brincadeira virou parte da própria identidade do grupo.
Musicalmente, entretanto, Beard nunca foi apenas o “terceiro integrante”.
Sua bateria era fundamental para o groove do ZZ Top.
Em vez de disputar espaço com a guitarra de Gibbons, Beard criava uma base precisa, econômica e extremamente pesada, permitindo que o baixo de Dusty Hill e os riffs de Gibbons respirassem.
Era uma bateria que não precisava chamar atenção o tempo todo.
Precisava fazer a música andar.
DO BLUES DO TEXAS AO ROCK MUNDIAL
O ZZ Top construiu sua identidade misturando blues, boogie, southern rock e hard rock, transformando elementos profundamente ligados à cultura do Texas em uma linguagem musical que conquistaria o mundo.
Os primeiros discos, como ZZ Top’s First Album (1971), Rio Grande Mud (1972) e Tres Hombres (1973), estabeleceram a base daquele som.
Depois vieram trabalhos como Fandango!, Tejas e Degüello.
Mas foi nos anos 1980 que o ZZ Top alcançou uma dimensão completamente diferente.
A ERA ELIMINATOR
Em 1983, o ZZ Top lançou Eliminator.
O álbum combinou o blues e o boogie característicos da banda com sintetizadores, bateria eletrônica e uma produção extremamente moderna para a época.
O resultado foi gigantesco.
Músicas como “Gimme All Your Lovin’”, “Sharp Dressed Man” e “Legs” transformaram o ZZ Top em uma potência mundial.
E os videoclipes ajudaram a criar uma imagem que se tornou inseparável da banda.
Carros, mulheres, humor, barbas, óculos escuros e aqueles três texanos andando como personagens de um filme.
Por trás daquela estética extravagante estava uma banda que continuava funcionando como um trio extremamente eficiente.
E Frank Beard era o motor dessa máquina.
MAIS DE CINCO DÉCADAS NO MESMO GRUPO
Poucos músicos na história do rock permaneceram tanto tempo em uma única formação.
Beard esteve no ZZ Top desde 1969 e acompanhou praticamente todas as transformações da banda.
Do blues-rock do início dos anos 70 à explosão da MTV nos anos 80.
Do grunge dos anos 90 à retomada do interesse pelo rock clássico nas décadas seguintes.
Foram mais de 55 anos associados ao mesmo grupo.
Em 2004, o ZZ Top foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame, reconhecimento que consolidou definitivamente o lugar da banda na história da música americana.
A MORTE DE DUSTY HILL
A história do trio clássico começou a mudar em 28 de julho de 2021, quando Dusty Hill morreu aos 72 anos.
A perda marcou o fim de uma das formações mais duradouras do rock.
Mesmo assim, Billy Gibbons e Frank Beard decidiram continuar.
Elwood Francis, técnico de longa data da banda, assumiu o baixo e os vocais, mantendo o ZZ Top na estrada.
Durante alguns anos, Beard continuou sendo a ligação viva com a formação original.
Agora, essa história chega a outro capítulo.
O FIM DE UMA ERA
Nos últimos anos, Beard já enfrentava problemas de saúde.
Em 2025, ele havia se afastado temporariamente de algumas apresentações para cuidar da saúde. Em agosto de 2026, o ZZ Top voltou a realizar shows sem o baterista, com Michael Monahan assumindo a bateria durante a turnê.
Poucos dias depois, veio a notícia de sua morte.
Com a partida de Frank Beard, Billy Gibbons passa a ser o único integrante sobrevivente da formação clássica do ZZ Top.
E isso dá uma dimensão ainda maior ao momento.
Não estamos apenas diante da morte de um grande baterista.
Estamos diante do desaparecimento de mais um dos três músicos que, durante mais de meio século, fizeram do ZZ Top uma das bandas mais singulares do rock.
O HOMEM QUE MANTINHA O GROOVE
Frank Beard nunca foi o integrante mais chamativo do ZZ Top.
Não tinha a barba monumental de Gibbons e Hill.
Não era o rosto principal dos videoclipes.
Não costumava ocupar os holofotes.
Mas talvez essa fosse justamente sua força.
Enquanto Billy Gibbons criava riffs imediatamente reconhecíveis e Dusty Hill sustentava o peso do baixo, Beard mantinha tudo funcionando.
Seu trabalho ajudou a transformar o ZZ Top em algo maior do que a soma de três músicos.
Era groove, era blues, era boogie e era rock.
E durante mais de cinco décadas, Frank Beard esteve sentado atrás daquela bateria.
Agora, resta a música.
E quando os primeiros acordes de “La Grange”, “Tush” ou “Sharp Dressed Man” começarem a tocar novamente, será impossível não ouvir também aquele ritmo preciso que ajudou a transformar o ZZ Top em lenda.
Frank Beard morreu aos 77 anos.
Mas o groove que ele ajudou a criar continuará.
Frank Beard (1949–2026)
ZZ Top — bateria
Descanse em paz, Frank. 🤘
Por Anderson Silveira | Hora de Bater Cabeça