GENE SIMMONS: “VOCÊ NÃO CONSEGUIRÁ IMPEDIR O AVANÇO DA IA”

Vocalista do KISS afirma que inteligência artificial já está transformando música e cinema e diz que artistas e indústria terão de aprender a lidar com uma tecnologia que, segundo ele, não poderá ser contida.

A inteligência artificial já começou a modificar profundamente a maneira como música, cinema e entretenimento são produzidos e, para Gene Simmons, não há como simplesmente tentar impedir esse processo.

Em entrevista ao podcast Lisa Guerrero Unleashed, publicada nesta quinta-feira (24), o baixista e vocalista do KISS falou sobre o avanço da tecnologia e afirmou que a fronteira entre o mundo real e o universo criado pela inteligência artificial está cada vez mais difícil de estabelecer.

Simmons lembrou que já existem projetos musicais e artistas que não possuem uma existência física, mas conseguem reunir grandes públicos. Segundo ele, a tecnologia também permite interações com personagens e entidades virtuais capazes de responder perguntas e manter conversas, tornando essa distinção ainda mais complexa.

“Você não conseguirá impedir o avanço da IA. Para evitá-la, você ficará para trás.”

Apesar de reconhecer que a transformação traz problemas importantes para músicos, atores, roteiristas e outros profissionais, Simmons admitiu que ainda não existem respostas definitivas para todas essas questões. Para ele, a indústria e a sociedade terão de descobrir como conviver com a nova realidade.

GENE SIMMONS TAMBÉM QUER USAR IA NO CINEMA

O próprio Simmons já está incorporando a tecnologia a seus projetos. Durante a entrevista, revelou que está desenvolvendo um filme chamado Icarus, descrito como uma produção de ficção científica. Segundo o músico, com exceção do protagonista, os demais elementos humanos do longa deverão ser criados por inteligência artificial.

A declaração mostra uma posição que Simmons vem apresentando há alguns anos: em vez de tentar interromper o desenvolvimento da IA, ele defende que artistas e empresas aprendam a utilizá-la e estabeleçam regras para sua aplicação.

Um dos exemplos citados pelo músico foi o ator Val Kilmer, cuja imagem poderá aparecer em um novo filme após sua morte. Simmons destacou que o uso foi autorizado pelo espólio do ator e afirmou que situações desse tipo deverão se tornar cada vez mais comuns.

QUEM SERÁ O DONO DA MÚSICA CRIADA POR IA?

A preocupação de Simmons com a tecnologia não é recente. Em 2023, ele já havia questionado como deveriam ser tratados os direitos autorais de uma música criada por inteligência artificial utilizando uma voz semelhante à sua.

O músico levantou uma questão que se tornou central no debate sobre IA: se uma ferramenta cria uma música utilizando características reconhecíveis da voz de um artista, quem deve receber os direitos autorais e os rendimentos dessa obra?

Em uma entrevista à Bloomberg, em dezembro de 2025, Simmons voltou a defender algum tipo de regulamentação. Na ocasião, afirmou que a inteligência artificial pode se tornar um problema caso avance sem regras claras e defendeu uma legislação abrangente para definir questões como propriedade intelectual, direitos autorais, marcas e distribuição de receitas.

“Você precisa de regras”, afirmou Simmons em 2023, ao discutir o uso de sua voz por sistemas de IA. Na mesma entrevista, resumiu sua posição diante da tecnologia: “A IA está aqui, goste você ou não.”

Em 2024, o músico adotou novamente uma postura semelhante ao afirmar que não seria possível voltar no tempo e desfazer os avanços tecnológicos. Para Simmons, músicos e profissionais do entretenimento terão de se adaptar à nova realidade.

A discussão está apenas começando. Enquanto a inteligência artificial avança sobre áreas que durante décadas dependeram exclusivamente do trabalho humano, questões como autoria, identidade, propriedade intelectual e remuneração ainda estão sendo definidas.

Para Gene Simmons, uma coisa já está clara: a inteligência artificial não vai esperar que a indústria esteja pronta para recebê-la.

Por HBC — Hora de Bater Cabeça

Fonte: Blabbermouth.net.

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