MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL: quando o ROCK e o METAL atravessaram a Cortina de Ferro
MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL — 37 anos depois, ainda uma das maiores histórias do ROCK. 🤘🔥
Você consegue imaginar HARD ROCK e HEAVY METAL reunindo mais de 100 mil pessoas no coração da antiga União Soviética, em plena GUERRA FRIA, com algumas das maiores bandas do planeta dividindo o mesmo palco?
Pois isso aconteceu.
Estamos falando do histórico “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL”, realizado nos dias 12 e 13 de agosto de 1989, no antigo ESTÁDIO CENTRAL LENIN, atualmente conhecido como ESTÁDIO LUZHNIKI, em Moscou.
E para celebrar esse verdadeiro marco da história do ROCK, neste bloco você conferiu algumas das apresentações que fizeram história naquele evento.
Começamos com BON JOVI e BLOOD ON BLOOD, em uma versão AO VIVO diretamente de 1989. A banda foi responsável por encerrar o “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL”, apresentando um SETLIST que ainda contou com “LAY YOUR HANDS ON ME”, “I’D DIE FOR YOU”, “WILD IN THE STREETS”, “YOU GIVE LOVE A BAD NAME”, “LET IT ROCK”, “LIVING IN SIN”, “RUNAWAY”, “WANTED DEAD OR ALIVE”, “LIVIN’ ON A PRAYER” e “BAD MEDICINE”.
E falando em “WANTED DEAD OR ALIVE”, a música ganhou uma introdução de quase dois minutos de RICHIE SAMBORA antes de simplesmente hipnotizar a plateia.
Também passamos por SCORPIONS com DYNAMITE, em uma versão AO VIVO direto de 1989. A banda abriu sua apresentação com “BLACKOUT” e seguiu com “BIG CITY NIGHTS”, “BAD BOYS RUNNING WILD”, “RHYTHM OF LOVE”, “THE ZOO”, “NO ONE LIKE YOU”, “THE SONG OF THE VOLGA BOATMEN”, canção folclórica russa, “HOLIDAY”, “STILL LOVING YOU”, “DYNAMITE” e encerrou com “ROCK YOU LIKE A HURRICANE”.
Curiosamente, a versão AO VIVO de “DYNAMITE” apresentada no festival ganhou posteriormente um lançamento oficial em videoclipe, em 2020.
Outro nome gigantesco que passou pelo palco foi OZZY OSBOURNE, com SHOT IN THE DARK. A faixa é a nona e última música do quarto álbum de estúdio de OZZY, “THE ULTIMATE SIN”, de 1986.
“SHOT IN THE DARK” tornou-se um dos grandes sucessos da carreira SOLO de OZZY, chegando ao Top 10 das rádios de ROCK MAINSTREAM e alcançando a posição 68 da BILLBOARD HOT 100, sendo o primeiro SINGLE de OZZY a entrar nessa parada.
Durante sua apresentação no “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL”, OZZY mesclou músicas de sua carreira SOLO com clássicos de sua época no BLACK SABBATH. E que banda de apoio!
Ao lado dele estavam o jovem guitarrista ZAKK WYLDE, o lendário baixista GEEZER BUTLER, do BLACK SABBATH, o baterista RANDY CASTILLO e o tecladista JOHN SINCLAIR.
O SET LIST contou com “I DON’T KNOW”, “FLYING HIGH AGAIN”, “SHOT IN THE DARK”, “MIRACLE MAN”, “SWEET LEAF”, “WAR PIGS”, “TATTOOED DANCER”, “SUICIDE SOLUTION”, “CRAZY TRAIN” e terminou com “PARANOID”.
E também tivemos MÖTLEY CRÜE com WILD SIDE, faixa de abertura do quarto álbum de estúdio da banda, “GIRLS, GIRLS, GORLS”, de 1987.
No festival, porém, foi “ALL IN THE NAME OF…” que abriu a apresentação da banda. Além dela e de “WILD SIDE”, o MÖTLEY CRÜE tocou “LIVE WIRE”, “SHOUT AT THE DEVIL”, “LOOKS THAT KILL”, a versão de “SMOKIN’ IN THE BOYS ROOM”, do BROWNSVILLE STATION, e encerrou sua participação com o clássico “JAILHOUSE ROCK”, de ELVIS PRESLEY.
Passamos ainda por CINDERELLA com SOMEBODY SAVE ME, terceiro SINGLE do aclamado álbum de estreia “NIGHT SONGS”, de 1987, certificado como platina tripla.
No palco do “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL”, a banda apresentou ainda “BAD SEAMSTRESS BLUES”, “IF YOU DON’T LIKE IT”, “PUSH PUSH”, “THE LAST MILE”, “COMING HOME”, “GYPSY ROAD”, “NOBODY’S FOOL” e “SHAKE ME”.
E como esquecer dos anfitriões do GORKY PARK?
A banda apareceu por aqui com BANG, primeiro SINGLE de seu álbum de estreia homônimo, lançado em 1989. A música alcançou a 41ª posição da parada ALBUM ROCK TRACKS da BILLBOARD nos Estados Unidos.
O videoclipe de “BANG” também teve ampla exibição na MTV americana, chegando à terceira posição e permanecendo durante dois meses no TOP 15 da emissora.
E aqui temos uma curiosidade particularmente interessante: o lançamento do álbum “GORKY PARK” só foi viabilizado depois que JON BON JOVI e RICHIE SAMBORA demonstraram interesse pela banda e coproduziram o trabalho, contribuindo para que o grupo fosse contratado pela MERCURY, gravadora ligada ao BON JOVI.
Durante sua apresentação, o GORKY PARK tocou “ACTION”, “HIT ME WITH THE NEWS”, “WITHIN YOUR EYES”, “DANGER”, “TRY TO FIND ME”, “CHILD OF THE WIND” e encerrou com uma versão de “MY GENERATION”, do THE WHO.
E abrindo o festival, tivemos SKID ROW com HOLIDAYS IN THE SUN, clássico dos SEX PISTOLS lançado em 1977 como o quarto SINGLE de “NEVER MIND THE BOLLOCKS, HERE’S THE SEX PISTOLS”.
O SKID ROW tocou as músicas: “Holidays in the Sun” (Sex Pistols cover), “Makin’ a Mess”, “Piece of Me”, “Big Guns”, “18 and Life” e “Youth Gone Wild”.
Mas afinal, por que o “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL” foi tão importante?
Realizado nos dias 12 e 13 de agosto de 1989, o festival aconteceu justamente durante a era da “GLASNOST”, período de abertura política promovido na União Soviética por MIKHAIL GORBACHEV.
O evento foi concebido como uma espécie de “WOODSTOCK RUSSO” e teve como principais articuladores o músico russo STAS NAMIN e o empresário americano DOC MCGHEE.
Estima-se que o festival tenha reunido mais de 100 mil pessoas e que sua transmissão tenha alcançado dezenas de países, incluindo os Estados Unidos através da MTV.
Mais do que simplesmente colocar grandes bandas no mesmo palco, a proposta carregava um simbolismo enorme: promover o entendimento entre o chamado Bloco Ocidental e o Bloco Oriental em um momento em que a GUERRA FRIA ainda não havia oficialmente terminado.
E isso aconteceu poucos meses antes da queda do Muro de Berlim.
O festival também esteve associado à arrecadação de fundos para iniciativas relacionadas ao combate ao abuso de drogas e álcool, através da MAKE A DIFFERENCE FOUNDATION.
E existe ainda uma das histórias mais curiosas — e controversas — envolvendo o festival.
O evento teria inspirado KLAUS MEINE, vocalista do SCORPIONS, a compor o clássico “WIND OF CHANGE”, lançado em 1990. A música se transformaria posteriormente em um dos maiores sucessos da banda e em um dos SINGLES mais conhecidos sobre o fim da GUERRA FRIA.
Mas aqui entra a parte que merece uma boa dose de curiosidade: existe também uma teoria segundo a qual DOC MCGHEE teria sido secretamente utilizado pelo governo dos EUA para produzir o festival como parte de uma operação de influência cultural destinada a enfraquecer o governo soviético e criar uma narrativa relacionada a “WIND OF CHANGE”.
Essa história, porém, permanece no campo das alegações e teorias — não deve ser confundida com um fato histórico comprovado.
O “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL” terminou com integrantes das diversas bandas se reunindo em uma grande JAM SESSION, reforçando justamente a ideia de união que estava por trás do evento.
Posteriormente, foi lançada a coletânea “STAIRWAY TO HEAVEN/HIGHWAY TO HELL”, reunindo versões de clássicos gravadas pelas bandas participantes, além de um documentário sobre o festival.

Entre os destaques estavam “MY GENERATION”, do THE WHO, tocada pelo GORKY PARK; “HOLIDAYS IN THE SUN”, dos SEX PISTOLS, pelo SKID ROW; “I CAN’T EXPLAIN”, do THE WHO, pelo SCORPIONS; “PURPLE HAZE”, de JIMI HENDRIX, por OZZY OSBOURNE; “THE BOYS ARE BACK IN TOWN”, do THIN LIZZY, pelo BON JOVI; e “MOVE OVER”, de JANIS JOPLIN, pelo CINDERELLA.
Mas nem tudo foram flores.
O festival também foi criticado pelas próprias bandas, especialmente pela aparente contradição entre uma mensagem de combate às drogas e o histórico de consumo de algumas das estrelas envolvidas.
Nos bastidores, também surgiram conflitos de EGOS, disputas pela ordem de apresentação e acusações envolvendo DOC MCGHEE, empresário de bandas como BON JOVI, SKID ROW, MÖTLEY CRÜE e SCORPIONS.
A proposta inicial previa apresentações mais simples, focadas na música e sem grandes artifícios teatrais. Entretanto, algumas bandas acusaram MCGHEE de favorecer o BON JOVI, concedendo mais tempo de palco e permitindo o uso de fogos de artifício — algo que teria sido negado ao MÖTLEY CRÜE.
Para alguns observadores, essas tensões internas, somadas às mudanças que estavam acontecendo no cenário musical, ajudaram a simbolizar o início do declínio do GLAM METAL.
No fim das contas, porém, o legado do “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL” vai muito além das polêmicas.
Imagine a cena: bandas americanas e britânicas de HARD ROCK e HEAVY METAL chegando à antiga União Soviética para tocar diante de uma multidão gigantesca, enquanto o mundo ainda vivia os últimos anos da GUERRA FRIA.
Em 1989, aquilo não era apenas um festival de música.
Era um símbolo.
Um palco onde guitarras, baterias e milhares de vozes ajudaram a representar uma possibilidade que, poucos anos antes, parecia improvável: a música atravessando fronteiras políticas e ideológicas.
E talvez seja justamente por isso que, 37 anos depois, o “MOSCOW MUSIC PEACE FESTIVAL” continue despertando tanta curiosidade.

NOTA 01
GLASNOST — termo russo que pode ser traduzido como “transparência” ou “abertura” — foi uma política de reformas associada ao governo de MIKHAIL GORBACHEV, iniciada em meados da década de 1980. Seu objetivo incluía ampliar a abertura política e a liberdade de expressão e permitir maior transparência na sociedade soviética.
NOTA 02
GUERRA FRIA foi o longo conflito político, ideológico, econômico e estratégico entre Estados Unidos e União Soviética, geralmente situado entre 1947 e 1991. O mundo ficou dividido entre dois grandes blocos, liderados pelas duas superpotências. O termo “fria” se deve ao fato de que EUA e URSS não entraram em uma guerra direta de larga escala entre si, em grande parte devido ao risco de uma escalada nuclear.
NOTA 03
GUERORDEM DAS APRESENTAçÔES: SKID ROW, GORK PARK, CINDERELLA, MÖTLEY CRÜE, OZZY OSBOURNE, SCORPIONS e BON JOVI.